segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Crime e Castigo ... e Democracia

O estudante Raskólnikov, mata intencional e premeditadamente a usurária Aliena Ivánovna, e como conseqüência, por ter-se tornado a única testemunha do crime, a sua irmã Lisavieta Ivanóvna.
Depois de pensar sobre quem era Aliena Ivánovna, Raskólnikov conclui ser ela, um mal a sociedade. A sua forma de ganhar dinheiro simplesmente explorando a necessidade de dinheiro dos outros impedia estes outros se desenvolverem por conta das dívidas com Aliena, aliado a isto, Aliena nada fazia com o dinheiro ganho além de juntá-lo, após sua morte seria doado a um mosteiro a fim de garantir sua entrada no céu.
Raskólnikov se questiona sobre a definição de crime e suas dimensões.
Sendo crime a desobediência às leis ou desvios das atitudes esperadas pelos padrões estabelecidos, Raskólnikov entende que mudanças só são possíveis por meio do crime. As grandes mudanças na história teriam sido obras de criminosos, todos os grandes homens que mudaram o rumo da história seriam criminosos, o mundo só evoluíra por conta deles.
As sociedades funcionam graças ao grupo de pessoas que obedecem as leis e cumpre o modelo, mas só mudam graças a quem desobedece, quem cria um novo modelo rasgando o existente.
Neste contexto, matar uma velha usurária ou empreender uma guerra contra um regime, entendido como explorador da miséria do povo, é uma questão de escala, em ambos os casos, estamos livrando a sociedade de um mal a que ela se entrega por submissão. Quanto a pobre Lisavieta, bem, sempre alguns inocentes terminam atropelados pelo turbilhão das mudanças.
Evidentemente há uma grande confusão de verdade e absurdo nesta idéia. Por um lado temos que reprimir o crime porque ele destruiria a sociedade, por outro lhe somos gratos por evoluirmos.
Este pensamento descrito por Dostoiévski em 1866, fundamenta-se bem em uma época que o totalitarismo dos governos convivia com a capacidade crítica do pensamento liberada pelo iluminismo.
Nos regimes de governo então existentes pensar em mudar já era um crime. Querer mudanças significava não estar de acordo com a vontade do Rei, se as pessoas podem querer mudar podem querer mudar o Rei, o que era obviamente inaceitável.
Muitos crimes, reprimidos e acolhidos, foram cometidos ao longo da nossa história na nossa trajetória humana. Muitos dos nossos heróis e santos foram condenados pelos regimes em vigor por defenderem os seus sonhos e serem sementes da liberdade que desfrutamos hoje. Podemos incluir aí Tiradentes, Frei Caneca, Gandhi, Luther King, etc. e até Jesus.
Por outro lado temos também revolucionários que se tornaram simbólicos inimigos da liberdade: Hitler, Napoleão, Stalin, etc.
Parece que temos que escolher entre a submissão ao poder ou nos arriscarmos em uma aventura atrás da liberdade. Entre o poder e a liberdade estará sempre o crime e a sombra do castigo?
Depois de muitos crimes e castigos parece que a nossa sociedade encontrou uma síntese, a democracia. Teoricamente a democracia permite que o poder seja mudado para atender as necessidades e interesses da sociedade sem a aventura do crime e castigo.
Com a democracia, a sociedade no ato de escolher quem lhe governa e quem lhe representa, impõem-se ao estado, ou seja, primeiro a sociedade, depois o estado. A sociedade define o estado e não o contrário.
A nossa humanidade está longe, muito longe de um estágio evolutivo que lhe permita abrir mão do estado, não adianta nos enganarmos precisamos do Leviatã, em assim sendo não existe sistema melhor que a democracia, se um regime democrático é ruim, qualquer coisa diferente é pior.
A democracia pertence a sociedade, não aos representantes circunstanciais, por isso a sociedade é sua guardiã. É muito mais fácil, para quem está no poder, governar sem democracia.
As democracias existentes não são democracias plenas, quem chega ao poder esquece que são membros da sociedade antes de serem detentores do poder circunstancial. Daí a necessidade e obrigação da sociedade sempre proteger a democracia.
O grande crime contra a democracia não é um governante temporário tentar um golpe e eternizar-se no poder, o grande crime contra a democracia é a sociedade que comete, é não protegê-la, deixá-la frágil e vulnerável aos golpistas de plantão.
Não proteger a democracia é agir contra a democracia, agir contra a sociedade inteira, jogar fora a soma de aprendizagem acumulada à custa de muito sofrimento ao longo da história. Não proteger a democracia é um crime independente de filosofia.
O crime contra a democracia é sempre castigado, seu assassino, a sociedade negligente, é sempre duramente punida
A democracia precisa de vontade da sociedade para existir, daí não consegue sobreviver em uma sociedade onde a maioria é excluída, pensemos nisso antes de condenarmos os programas sociais.
A democracia não resiste a displicência do seu dono: a sociedade, pensemos nisso antes de nos ausentarmos dos debates políticos e de esquecermos de acompanhar as ações dos representantes que escolhemos.
A democracia nunca é culpada, é sempre vítima, pensemos nisso antes de darmos "votos de protesto" contra a classe política, a democracia não pertence a ela.
O oxigênio da democracia é o voto, lembremos disso cada vez que desperdiçamos o dever de votar.
Estamos começando uma nova fase da democracia brasileira, estamos nos consolidando cada vez mais como uma sociedade democrática, é mais que hora de defendermos este legado.
Quanto mais forte fica uma democracia, mais o povo é responsável por defendê-la, afinal deu muito trabalho construí-la.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Finalmente o fim da era Lula!!!!

Temos um Brasil novo!
Ontem estava assistindo o noticiário da BAND e vendo a quantidade de pessoas que jamais pensaram entrar em um navio fazendo cruzeiros, é o pagode no deck, a farofa na balaustrada, o “diz aí Bahia” para o comandante.
Aeroportos e vôos lotados.
Champagne para todo mundo.
Resumindo. É “pobre” para todo lado!
Lula provou que todo mundo tem direito a coisas boas e gostosas, não existe lei que obrigue a ouvir prelúdios para poder fazer cruzeiro, ler Joyce para andar de avião, saber usar três copos e cinco talheres para poder comer bem. Nada disso!!!! Basta trabalhar, contribuir para a riqueza do país. Férias é para todo mundo.
Claro que essa situação incomoda uma turminha que via tudo isso como brinquedos seus. Muita gente grã-fina deve detestar repartir a piscina do navio com “aquele povo”, sugestão: passem as férias em casa, deixem os espaços para quem sempre os preparou e nunca os usou.
Não adianta mais, Lula abriu uma nova caixa, a caixa de Lula.
Diferentemente de Pandora que libertou as dores e deixou a esperança presa, Lula liberou as alegrias e a inveja ficou lá.
Uma era passa, assim como uma semente passa; o legado, assim como a árvore, dará frutos por muitos anos.
Muita paz,
Thomas.

Desbafo da Teresa Cruvinel

De Teresa Cruvinel, publicado no Correio Brasiliense

Neste último artigo do ano aqui no Correio, não tenho como não falar dos oito anos trepidantes, em todos os sentidos, que estão chegando ao fim. Os anos Lula não apenas mudaram para sempre o Brasil. Mudaram também nossa forma de sentir e pensar nosso país.
Sob Lula, aprendemos a enxergar a pobreza, a importância de combatê-la e, mais recentemente, a celebrar sua redução.
Vimos um presidente chegar ao poder contrariando tudo o que sempre nos pareceu natural: sem berço, sem diplomas, sem o apoio das elites econômicas e pensantes. Vimo-lo, depois, quebrar todas as convenções ao exercer o poder: falando a linguagem desabrida do povo, cometendo metáforas rasas e gafes frequentes, quebrando a liturgia do cargo, trocando o serviço à francesa do Itamaraty por um buffet self-service, tomando café com os catadores de papel e exercitando uma aguerrida diplomacia presidencial sem falar outra língua.
Não haverá outro Lula, pois o Brasil que o gerou não haverá mais. E isso é bom.
Neste período, 28 milhões de brasileiros cruzaram a linha da pobreza e outros 20 milhões ascenderam à classe C. Mais extraordinário é que esse feito tenha acontecido sem a quebra de um só cristal. Ou seja, Lula não tomou uma só agulha dos mais ricos para dar aos mais pobres. Não privou os banqueiros de seus lucros para estender o crédito ao andar de baixo. Não reduziu as exportações do agrobusiness para dar mais comida ao povo. Não garfou a poupança da classe média para criar o Bolsa Família. Tudo fez harmonizando interesses e moderando conflitos. Todos ganharam, embora os mais pobres tenham começado a tirar a diferença.
Em 2009, apesar da crise, a renda média dos 40% mais pobres cresceu 3,15% e dos 10% mais ricos apenas 1,09%. E isso é bom para todos, inclusive para os ricos. Este ano, os números serão mais eloquentes.
O crescimento da economia, que pode chegar aos 8% em 2010, será o maior em 24 anos. Desta vez foi crescimento sem inflação e com distribuição de renda. No final do período Lula, terão sido gerados 15 milhões de empregos. Este ano, a nova classe C vai gastar R$ 500 bilhões em 2010, superando o consumo das classes A e B. Isso é mudança.
Sob Lula, a percepção do Brasil mudou também lá fora. Agora o país é player, é líder no G-20, é um dos Brics, vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Vamos perdendo o velho complexo de vira-latas.
Nem tudo foi resolvido, nem tudo foi feito e não faltaram as decepções. Sobretudo as políticas, com os casos de corrupção intermitentes. Mas o saldo a favor de Lula foi bem maior e levou-o ao píncaro da popularidade. Mesmo assim, ele continua sendo um presidente intragável para uma minoria. Talvez para aqueles 4% ou 5% que, nas pesquisas frequentes, consideram seu governo péssimo, contra os 80% que o consideram ótimo ou bom.
As relações com a mídia serão um capítulo na história a ser escrita. Vivi a minha pequena parte. Colunista política de O Globo, nunca apontei, nos seis governos e sete legislaturas que cobri, apenas o bem ou o mal. Assim erigi minha credibilidade de analista político. A partir de 2003, divergi do pensamento único que passou a vigir na mídia, não engrossando a cruzada anti-Lula. Na elite do jornalismo político, muito poucos, além de mim e de Franklin Martins, fugiram ao padrão monopólico e demonizador.
Houve preço. Em 2005, veio o maccarthismo e com ele os cães raivosos e o espírito de delação. Um deles espumou, em 2005, que Lula só não caíra ainda porque uma lista de jornalistas lulistas, aberta com meu nome, havia aparelhado a imprensa! Por algum tempo sustentei o apedrejamento, mas, já tendo sofrido uma ditadura, rejeitei a escolha entre autoimolação e sujeição.
No final de 2007, aceitei o convite para dirigir a TV Pública que seria criada, cumprindo a Constituição Federal. Pouco vi o presidente depois disso. Tenho trabalhado com absoluta liberdade e os resultados estão aí. Nunca recebi queixas ou bilhetinhos de ministros.
Não tenho a menor importância na história maior que se encerra agora. Conto isso aqui porque esses detalhes fazem parte do ambiente venenoso, eivado de intolerância, elitismo e ódio de classe em que Lula governou e construiu o legado que deixa ao país.

Durante vinte anos, Teresa Cruvinel trabalhou para o jornal O Globo. Em setembro de 2007, porém, pediu demissão para assumir o cargo de presidente da TV Brasil, a convite do também jornalista e Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
Cruvinel pertence a uma safra de jornalistas da Globo que deixou a emissora por discordar de sua orientação política e da perseguição que se instalou naquela concessão pública contra todo aquele que não adotasse a opinião da casa sobre o governo Lula.
Jornalistas tarimbados e, até então, com evidência nas Organizações Globo, tais como Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Franklins Martins, Helena Chagas e a própria Teresa Cruvinel deixaram o conforto dos altos salários da mega emissora brasileira para se tornarem críticos dela.


domingo, 12 de dezembro de 2010

AJUDANDO O PODER PARALELO

Este artigo intitulado “Eu ajudei a destruir o Rio”, que recebi por e-mial, é extremamente emblemático e caracteriza muito bem a realidade de como o mal se alimenta da hipocrisia. Os religiosos afirmam que a ferramenta do diabo é a mentira. E é verdade. O diabo existe? Depende do que chamamos de diabo. Sempre que nos separamos do todo e colocamos os nossos interesses acima dos outros o diabo está conosco e sempre que negamos as nossas fraquezas e mentimos para todo mundo, incluindo nós mesmos, o diabo está conosco.
Se pensarmos no diabo como a nossa capacidade de gerar prazer para nós à custa de sofrimento para outros ele existe sim. E é mais ou menos como costumamos dizer: Deus está em toda parte, e o diabo nos detalhes.
Enquanto oxigenarmos o crime com as nossas atitudes, estaremos ajudando não apenas a destruir o Rio, mas minando a nossa sociedade. Os criminosos são poucos, nós somos milhões, cada pequena ação nossa é milhares de vezes somada até se transformar em poder nas mãos destes poucos. Não adianta dizer: “é só uma besteirinha, não tem peso nenhum”, tem sim, tudo tem peso, uma tonelada nada mais é que um milhão de gramas, a distância daqui até a Lua pode perfeitamente ser expressa em milímetros.
Tudo que fazemos é importante.
Apesar do artigo ser voltado para os jornalistas e artistas, é claro que não são só eles, a desgraça da senzala nasce na casa grande.
Thomas,
Muita paz.

VERDADE PURA E CRISTALINA
Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília... critica o cinismo dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas.
Guedes desafia a todos que tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir : "Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro". Leia o artigo na íntegra.
Eles ajudaram a destruir o Rio.
É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.
Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barezinhos de Ipanema e Leblon.
Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.
Quanto mais glamoroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco. Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca e brasileira, por extensão.
Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.
Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios
ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta.
E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose
diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.
Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacueras,
que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império,
tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem
ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é
proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos
assim, tolerado.
São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem.
Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam
futuros.
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes:
"EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO!"

sábado, 4 de dezembro de 2010

Corra Homem, corra!

Há algumas postagens atrás falamos sobre a inutilidade de movimentos de recuperação econômica que enfatizem o aumento do consumo. O planeta dá nítidos sinais de escassez e nossas resoluções passam sempre pelo aumento do consumo, evidentemente que elas não são solução, mas aumento do problema, mais ou menos como dar drogas para tirar um viciado da sua crise de abstinência.

Agora vejo esta reportagem no Estadão sobre uma cidade italiana onde parece que as pessoas descobriram que a felicidade não está em correr, mas em olhar a paisagem.

Aliás, creio que é isto que nos falta, passamos pela vida correndo tanto que esquecemos olhar para o lado, como alguém, que na sua ânsia de conhecer vários bosques, vai a todos e não vê nenhum, certa vez andando entre dois prédios onde trabalho, e evidentemente falando sobre trabalho, vi uma borboleta de cores muito bonitas, interrompi o discurso do meu colega e disse: “olha que borboleta linda”; ouvi como resposta: “este assunto é sério”. A admiração do entorno está condenada a tempos marginais, impossíveis de serem aproveitados com algo “útil”.
Sentimos-nos obrigados a ir, se não saímos um fim de semana de casa o consideramos perdido: “nada fiz este fim de semana, foi um saco”; se ainda não fomos ao novo shopping center somos não antenados; olhamos para o nosso carro de 3 anos e achamos um absurdo ainda não termos o novo modelo, temos que fazer dinheiro para trocá-lo.

Temos que parar de correr, pelo menos de correr na direção em que vamos presentemente, pois não parece que o que nos espera no final da corrida seja algo que queremos encontrar.
Corra Homem, corra! Mas que seja para os braços da tranqüilidade, do simples, do bem viver, da felicidade.

Muita paz!
Thomas.
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2010/12/italia-descobre-os-beneficios-de-viver-em-um-ritmo-mais-lento.html

domingo, 28 de novembro de 2010

GUERRA E PAZ

Leon Tolstói criou um dos mais longos romances(?) da história descrevendo os horrores das guerras Napoleônicas na Rússia, o livro dentre muitas coisas mostra a fragilidade da nossa vontade, dos nossos conceitos éticos/maniqueístas: certo-errado, feio-bonito, bom-mau; em face do determinismo histórico. Churchill dizia que a guerra não é a pior coisa, a escravidão é muito pior.


Existem momentos na história quando uma sociedade deve decidir o que não quer abrir mão para preservar algo denominado paz. É paz vivermos sem tiros e sob o domínio de um grupo de pessoas, que se auto-proclamam “chefe” e que efetivamente trabalham como ditadores sem nenhum tipo de controle, um absolutismo desfrutado por poucos déspotas da história? É paz vermos nossas crianças serem condenadas a uma vida cujo único horizonte é um dia ser um “bom bandido” e viver até 25 anos? Isto é literalmente matar inocentes. Quantos são mortos desta forma? Podemos dizer que estas crianças nascem mortas. Não, isso não é paz, é escravidão!


Estamos vivendo um momento desta natureza na nossa sociedade. O que vemos no Rio, sem preocupações com rótulos, como tão bem falou o oficial Paulo Henrique Moraes: “rótulos é para quem vai contar a história” e eu acrescento: "ou produzir reality show"; é uma guerra contra um poder paralelo, instalado nas favelas daquela cidade. Um poder do mal, e se alguém tinha dúvida se ele era “bom” para as comunidades “protegidas” por ele, creio que foram dirimidas diante de como as pessoas estão sendo tratadas por estes “anjos”: Expulsos de sua casas para dar abrigo aos bandidos, sendo obrigados a esconde-los, ameaçados, tornados reféns; vivendo um terror de fazer inveja a França pós revolucionária sob o comando de Robespierre.


Bandido não protege ninguém, se podemos esperar alguma proteção, esta só poderá vir do Estado, e é para garantir que a sociedade possa ter cada vez mais certeza que o Estado trabalhará efetivamente em prol da sua segurança e bem estar que lutamos tanto para termos uma democracia.


Inocentes sofreram e sofrerão com esta guerra, infelizmente não há guerra sem sofrimento de inocentes, a guerra é sempre um mal, mas, lembrando Churchill, por incrível que pareça, pode ser um mal menor, com duração previsível, e necessário para evitar males maiores e sem horizonte do fim.


O Estado Brasileiro tem obrigação de afirmar sua autoridade em todo território nacional, isto é o mínimo que a sociedade espera dele, não é admissível conviver-se com áreas de exclusão no seio da sociedade, áreas onde as pessoas que lá vivem estão à margem da democracia.


A operação era necessária e, ao que parece, foi uma vitória, parabéns a todos que atuaram.


Bom, o morro do Alemão está tomado, e daí?


O Rio é uma cidade, este problema existe em várias outras, aqui em Salvador, onde a segurança se tornou um problema gravíssimo, creio mesmo que pior do que lá, já existem favelas onde a polícia não entra, ou seja, temos os nossos “morros do Alemão”, o mesmo em Belém, Fortaleza, Maceió etc.


Outra coisa, vamos punir apenas os traficantes das favelas? Sabemos que os “grossos calibres”, os que realmente ganham dinheiro com o tráfico de drogas, moram muito bem em bairros grã-finos. As leis e a aplicação das leis vão continuar como até hoje?


Se considerarmos que a guerra acabou no complexo do alemão, efetivamente estamos perdidos. Temos agora uma responsabilidade maior, não podemos deixar que este sofrimento provocado em nome de resolver o problema seja perdido.


Libertar o morro do alemão foi uma batalha importante ganha, perdê-lo de volta será a derrota, não de uma batalha, mas da guerra.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MAIS UMA EXPERIÊNCIA COM VINHO


O vinho Cerasuolo Di Vittoria DOCG 2008 é delicioso, extremamente macio de sabor frutado. É um vinho siciliano, produzido pela Planeta, de origem controlada (DOCG).
Muito bom para acompanhar refeições. Na minha opinião, é excelente para massas com molho de queijo ou vermelho.
Não recomendado para pessoas exigem vinhos fortes, tipo o Australiano Matilda.

domingo, 21 de novembro de 2010

Machu Picchu




Porta do Sol

3 fotos da Trilha desde a Porta do Sol até Machu Picchu

Praça Central de àgua Calientes

De vez em quando alguém me pergunta se eu já fui a Machu Picchu, se é legal, se eu fiz a trilha Inca, etc.


Daí, resolvi colocar algo aqui.


Fomos ao Peru e Bolívia em julho de 2006, nesta oportunidade fomos a Machu Picchu.


Machu Picchu não é um lugar onde se fica, mas apenas se visita, a cidade mais próxima é Águas Calientes.

Para se chegar a Machu Picchu é necessário ir a Ollantaytambo e lá apanhar um trem. O trem pode levar a três pontos: o primeiro, onde descem as pessoas que farão a trilha completa a pé, uma segunda para aqueles que farão a semi-trilha e finalmente Águas Calientes. Não há outra forma de chegar-se a Águas Calientes, não tem aeroporto nem estrada o trem segue exatamente o trajeto do rio Urubamba, o que faz da viagem por si só um espetáculo.


Nós fomos direto a Águas Calientes, para se fazer a trilha é necessário uma grande antecipação na reserva, uns 6 meses.


A partir de Águas Calientes, apanha-se um ônibus que sobe a montanha até Machu Picchu.
É possível, e a maioria faz isto, sair de Ollantaytambo, visitar Machu Picchu e retornar no mesmo dia. Não foi o que fizemos. Por quê?

Machu Picchu é um lugar maravilhoso, se seu nome não fosse este poderia ser “paz e silêncio”. Quando o trem chega, uma multidão corre para os ônibus e em pouco tempo Machu Picchu está lotada. Até para tirarmos fotos é necessário o famoso “afasta um pouquinho por favor” tão comum na Fontana di Trevi. O barulho do vozerio espanta qualquer espírito que porventura estivesse repousando por lá, ou seja, Machu Picchu transforma-se em um monte de ruínas interessantes, só compreendidas quando explicadas pelos guias.

O horário de saída do trem, retornando a Ollantaytambo, dá-se bem antes do último ônibus a descer de Machu Picchu , significa que bem antes deste último trem Machu Picchu está vazia.
Dá mesma forma o primeiro trem chega a Águas Calientes muito depois do primeiro ônibus para Machu Picchu, o que faz com que lá esteja vazio nas primeiras horas da manhã.

Esta é a grande vantagem de não voltar no mesmo dia.


No primeiro dia chagamos na muvuca, subimos com todo mundo, tomamos a aula dos guias (importantíssimo, caso contrário você estará olhando as páginas de um excelente livro em mandarim), e quando todos se foram, Machu Picchu era nossa, ainda tem umas duas horas de sol. Subimos a trilha até a porta do sol, por onde chegam os que vêm a pé e único lugar de onde se pode avistar o cartão postal de Machu Picchu. Descemos no último ônibus, jantamos em Águas Calientes, a cidade tem ótimos restaurantes com atendentes extremamente gentis, e dormimos em uma ótima pousada.

Na manhã seguinte, pegamos logo um ônibus subindo a montanha, encontramos Machu Picchu quase completamente vazia, repassamos todos os locais que o guia descreveu, fotografamos tudo que queríamos, encontramos um grupo que chegou a pé da trilha, quando chegou a muvuca, pegamos o ônibus descendo para Águas Calientes, aproveitamos o dia na cidade, não tem muito o que fazer além dos banhos quentes e bons restaurantes, e no terceiro dia pegamos o primeiro trem retornando a Ollantaytambo. Ou seja, dormimos duas noites em Águas Calientes.

Se não quer dormir duas noites por lá, fique pelo menos uma.

Antes de ir, não deixe de ler o livro: "Machu Picchu - Viagem a cidade Sagrada dos Incas" de Leon Hernan Dziekaniak.

Machu Picchu só se torna visível no silêncio.

Um abraço.
Muita paz,
Thomas.

ABÓBORA!!!

Recebi o texto abaixo de uma prima.

Sabemos, é claro, que a INTERNET está cheia de mensagens malucas circulando para cima e para baixo, como: funcionários derretidos em tanque de coca-cola, desodorantes que provocam câncer, pessoas desaparecidas que estão muito bem e em casa, outras gravemente doentes precisando de doação para cirurgia nos EUA que só descobrem a sua situação pela INTERNET, etc.

Mas este eu achei interessante, mesmo porque, se for falso, mal também não faz. Todos nós conhecemos muito bem os efeitos positivos das diversas plantas, entre elas várias leguminosas que fazem parte do nosso dia a dia. E depois já é bem antigo, a referência indica (não verifiquei) um livro de 2008.

Evidentemente que milagre não existe, e não se pode comer bacon no café, pururuca no almoço e pizza no jantar todos os dias e esperar que a abóbora, ou qualquer outro agente, até mesmo de laboratório, faça todo o trabalho para salvar nossa saúde. No entanto creio que tentar este tipo de coisa, pode ajudar.

Um abraço a todos.
Muita paz,
Thomas

Vamos ao texto
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A Abóbora
Um segredinho revelado [1].
Alguns anos atrás, um meu ex-professor me mostrou uma análise de sangue; o que eu vi me deixou impressionado. Os cinco principais parâmetros do sangue, ou seja: uréia, colesterol, glicemia, lipídeos e triglicerídeos apresentavam valores que, em muito excediam os níveis permitidos.
Comentei que a pessoa com aqueles índices já deveria estar morta ou, se estava viva, isto seria apenas por teimosia. O professor, então, mostrou o nome do paciente que, até então, tinha sido ocultado pela sua mão. O paciente era ele mesmo!
Fiquei estupefato! E comentei: "Mas como? E o que você fez?". Com um sorriso, ele me apresentou a folha de uma outra análise, dizendo: "Agora, olhe esta, compare os valores dos parâmetros e veja as datas".
Foi o que eu fiz. Os valores dos parâmetros estavam nitidamente dentro das faixas recomendadas, o sangue estava perfeito, impecável, mas a surpresa aumentou, quando olhei as datas; a diferença era de apenas um mês (entre as duas análises da mesma pessoa)!
Perguntei: "Como conseguiu isso? Isso é, literalmente, um milagre!" Calmamente, ele respondeu que o milagre se deveu a seu médico, que lhe sugeriu um tratamento obtido de outro médico amigo. Este tratamento foi utilizado por mim mesmo, várias vezes, com impressionantes resultados. Aproximadamente, uma vez por ano, faço análise de meu sangue e, se algum dos parâmetros estiver apresentando tendência ao desarranjo, volto imediatamente a repetir esse processo. Sugiro que você o experimente.
Aqui está o SEGREDO: Semanalmente, por 4 semanas, compre, na feira ou em supermercado, pedaços de abóbora. Não deve ser a abóbora moranga e sim a abóbora grande, que costuma ser usada para fazer doce. Diariamente, descasque 100 gramas de abóbora, coloque os pedaços no liquidificador, junto com água (SÓ ÁGUA!, e bata bem, fazendo uma vitamina de abóbora com água.
Tome essa vitamina em jejum,15 a 20 minutos antes do desjejum (café da manhã). Faça isso durante um mês, toda vez que o seu sangue precisar ser corrigido. Poderá controlar o resultado, fazendo uma análise antes e outra depois do tratamento com a abóbora.
De acordo com o médico, não há qualquer contra-indicaçã o, por tratar-se apenas de um vegetal natural e água (não se usa açucar!).

O professor, excelente engenheiro químico, estudou a abóbora para saber qual ou quais ingredientes ativos ela contém e concluiu, pelo menos parcialmente, que nela está presente um solvente do colesterol de baixo peso molecular : o colesterol mais nocivo e perigoso - LDL .
Durante a primeira semana, a urina apresenta grande quantidade de colesterol LDL (de baixo peso molecular), o que se traduz em limpeza das artérias, inclusive as cerebrais, incrementando, assim, a memória da pessoa.
Há apenas um inconveniente: o sabor da abóbora crua não é muito agradável! Nada mais.
Porém, há um detalhe importante: nem a abóbora, nem a água poderão ir para a geladeira, porque a refrigeração destrói os ingredientes ativos da vitamina. Esta é a razão de ter que comprar, semanalmente, a abóbora, pois, fora da geladeira, ela se estraga rapidamente.
Referência: [1] Salvatore de Salvo e Mara Teresa de Salvo, Novos Segredos da Boa Saúde, Editado pela Biblioteca 24x7 [www.biblioteca24x7. com.br], São Paulo-SP, novembro 2008.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Flor d'Englora


Experimentamos ontem a noite este delicioso vinho espanhol.
Excelente para carnes, e massas com molhos fortes. Nossa experiência foi com strogonof.
Também acredito que acompanhe bem bacalhau e mesmo uma paella.
Não é muito caro: R$ 55,00

terça-feira, 16 de novembro de 2010

OURO E PRATA

No último domingo a nossa seleção feminina conquistou a medalha de prata na copa do mundo de vôlei. Fomos a final com a Rússia que jogaram melhor o tie brake e, justamentre, venceram conquistando o ouro.

Com a derrota as nossas meninas ficaram muito tristes a líbero Fabi, chorando, pediu desculpas a torcida.

Que é isso garotas? Vocês conquistaram a prata, nos deram a alegria de ver nossa seleção ganhar todas as partidas até a final, nos deram o prazer de torcer até o fim do campeonato. Uma partida entre duas seleções do nível Beasil/Rússisa, é um evento inteiramente aberto, qualquer um pode ganhar.

Vocês não perdram o ouro, nós todos ganhamos a prata graças ao trabalho de vocês, tanto tempo longe do país, tantas horas dedicadas a treinos enquanto podiam estar cuidando de suas próprias vidas, vocês estão de parabéns, nós só temos a agradecer.

Obrigado meninas, pela prata conquiatada com o ouro de seus corações.

Thomas,

Muita paz.

sábado, 13 de novembro de 2010

Para onde vamos?

Ontem, dia 12/11 o jornalista Clóvis Rossi, em sua coluna da Folha disse que o G-20 “não fracassou”, “andou de lado”, “anestesiou a crise cambial”.

Em minha opinião, de apenas um na multidão, que não é economista, mas simplesmente um usuário e contribuinte do sistema econômico; creio que este “anestésico” ou “cortisona” como já li em outro comentário, vem de longe, a dose aumentou com a crise de 2008 e até agora estamos tomando remédios que não curam, mas apenas aliviam dores e coceiras.

A Europa vai aos trancos e barrancos enfrentando toda a espécie de protesto de seu povo que não aceita as medidas anti-crise, todas muito desconfortáveis. Portugal, já fala até em sair do EURO. O EURO, que era a solução de todos os males, está começando a se configurar como problema.

Há muito tempo li algo de Gandhi que retratava sua preocupação com o fato dos indianos entenderem que se libertar da Inglaterra daria a eles condições de viverem como os ingleses. A angústia de Gandhi era que ele defendia exatamente “não viver como os Ingleses”, ele considerava que se a Inglaterra com uma população muito menor que a da Índia precisava causar tanto estrago ao redor do mundo para manter seu modo de vida, o que dirá do mal que a Índia faria para viver do mesmo jeito.
Por que falar sobre isto? Todas as soluções que eu vejo serem apresentadas para a crise, passa sempre pelo aumento de consumo, como isto vai resolver alguma coisa se o planeta está exatamente dizendo: “parem de consumir tanto pelo amor de Deus”.

Antigamente apenas europeus (entenda-se: a oeste de Viena e a Norte de Milão) e americanos (entenda-se: ao norte do rio Grande) consumiam.

Em uma realidade onde poucos consomem e muitos fornecem, o modelo de concorrência funciona muito bem, pode-se puxar o tecido dos recursos à vontade que ela agüenta indo hora para um lado, hora para o outro, dependendo da força. Este modelo construiu a sociedade que temos.

Ora, atualmente a quantidade de pessoa e sociedades que têm acesso ao consumo aumentou dramaticamente e continua assim. A quantidade de forças para puxar o tecido é muito maior, e em várias direções. O tecido, entenda-se aí o próprio planeta, não agüenta o tranco.

Será que o caminho: aumente o consumo, seja mais competitivo ainda é uma receita?

Creio que a humanidade terá que mudar seu modelo de vida, sabe-se há muito que para curar um doente crônico não bastam os remédios, a mudança para hábitos mais saudáveis é muito mais importante, às vezes, único caminho.

E o que seria nossa mudança de hábito? Em minha opinião é sermos mais colaboradores que concorrentes, não dá mais para viver no modelo agarre o que puder, ou quem não pode dança. A quantidade de pessoas e sociedades que “podem” é grande demais para isso.
Antigamente carro era artigo de luxo que poucos tinham, em países como Índia e China muito poucos pensavam nisto. Imaginemos um dia em que cada indiano e cada chinês tenha um carro? O planeta não agüenta , mas se os americanos (somando-se agora os povos ao sul do rio Grande) e europeus (agora ultrapassando os limites de Viena e Milão) podem por que eles não?
Estamos em um momento de decisão, temos que decidir o que queremos, para onde queremos ir, de carro para o abismo ou a pé para algum lugar onde possamos viver? Precisamos de novos conceitos de "viver bem", de "conforto"; um conceito que obrigatoriamente inclua o mundo todo, não dá mais para excluir ninguém
Precisamos mudar de rota. O caminho atual inevitavelmente nos levará a guerras primeiro cambial, depois tarifária e depois...

Para onde vamos?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

POR QUE NÃO FAZER DIREITO?

Esta é para quem mora em Salvador!
Todos lembram como era o Imbuí, havia um rio separando a Av. J Amado e a Rua das Araras.
O outrora rio, com o tempo e as construções ao seu redor, incluindo aí o prédio em que moro, se transformou em canal aberto, um lugar impossível para peixes, depois para qualquer ser vivo habitar em suas águas e finalmente tornou-se impossível para qualquer criatura dotada de nariz aproximar-se.
Pois bem, ano passado foi iniciada uma obra de fechamento, do então esgoto a céu aberto; claro que todas as ONGs ambientalistas, que nada fizeram para impedir que um rio fosse transformado em esgoto, fizeram de tudo para impedir que o “um dia” rio, fosse fechado.
Concluído o fechamento ao que somos gratos, começou a parte da nossa prefeitura. Foi construída uma praça sobre a estrutura de fechamento, muito bonita, por sinal, hoje a área antes impossível de ser utilizada encontra-se repleta de pessoas, desde cedo até a noite, usufruindo suas pistas de correr, seus bancos, brinquedos, quadras, etc.
Tanta coisa boa não precisava do desfecho que estamos presenciando, a praça nem acabada está e já quebraram boa parte do calçamento para colocar os fios de eletricidade que alimentarão os 20 quiosques construídos, ainda não inaugurados, exatamente por falta de luz. Será que o projeto original previa românticos “quiosques a luz de vela”?
As cabeceiras também não foram concluídas, soluções de última hora as transformaram em gargalos de trânsito que provocam engarrafamentos antes inexistentes.
Erraram o dimensionamento da Rua das Araras que foi dividida em duas pistas: uma dá acesso a Boca do Rio e a Praia, a outra dá acesso ao Imbuí. O fluxo da primeira é muito maior, talvez por isto mesmo foi feita mais estreita, vai ver o objetivo era provocar engarrafamento, afinal a praça é para ser olhada e nada melhor que um engarrafamentozinho para estimular os olhos.
Como para acesso a praça é necessário cruzar a Av. J Amado, ou a Rua Das Araras, foram instaladas sinaleiras de pedestre dotadas de botão para acionamento, ótimo! Detalhe, os botões não funcionam, os semáforos são automáticos, fecham e abrem sem comando, ou seja fecham as 2 da manhã com a mesma freqüência e duração que as 5 da tarde.
É isto que é duro de entender, por que não fazer tudo direito até o fim, por que não fazer um projeto decente que elimine tantos erros, nem caixa 2, 3 ou 4 que seja justifica tanta maluquice, dava para caixa 5 e ainda terminar a praça. É puro descaso. A segunda parte do projeto que é urbanizar a faixa oposta da Av. Jorge Amado, inclusive com estacionamentos, provavelmente jamais será feito. Se nem os retornos das cabeceiras da praça terminaram!
É uma pena, ver algo que começou tão bem, causou tanta expectativa em todos os moradores da região, está 90% pronto, sendo largamente utilizado, tenha um final tão imerecido.
É triste ver o que poderia ser um postal da cidade tornar-se um postal da incompetência e desleixo.
Muita paz,
Thomas.

Novos Sites

Olá,

Coloquei mais dois sites no blog.

Domínio Público e SciElo.

Ambos são ótimos.

O Domínio Público é um site do governo que dispõe de livros, trabalhos, vídeos, músicas etc. Pode-se escolher o tipo de mpidia, depois o assunto, escrever o nome do autor, título e idioma. Tudo grátis.

O SciElo é um site suportado pela FAPESP e CNPq voltado para periódicos de trabalhos acadêmicos, tem tudo que é assunto. A pesquisa não é tão amigável quanto o Domínio Público mas também é boa. Também grátis.

Divirtam-se

Muita paz.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

FALE, BRASIL

Recebi o texto abaixo e, sendo pernambucano de nascimento e baiano de coração, concordo com o Barbosa Júnior sobre todos os elogios feitos aos povos do nordeste, muito bem escrito e mais do que suficiente para calar a boca de almas miúdas que chafurdam no próprio preconceito e se corroem na própria inveja.
Em um texto tão legal e tão feliz em sua primeira parte, na minha opinião, não cabe a segunda.
Meu caro Barbosa, o que queremos, e pelo que você escreveu sei que está entre nós, é o fim de preconceitos. Abaixo ao duelo Norte-Sul, não somos assim.
Não queremos tomar como exemplo atitudes de almas miúdas, aliás queremos sim; queremos tomar como exemplo daquilo que não queremos ser, daquilo que não queremos dizer, escrever ou pensar.
O Sul e Sudeste do nosso país têm coisas maravilhosas para dar e ensinar, gente de cultura e grande capacidade de construir coisas boas. Almas miúdas não são a maioria das pessoas de lá.
O nosso país inteiro é povoado por pessoas de alma grande, não é a toa que estamos construindo tanta coisa bacana, mudando a realidade do nosso país.
O Sul e Sudeste são fundamentais nesta mudança, são terras de grandes oportunidades. Não queremos reforçar nenhuma linha divisória que estejam tentando traçar no meio do país, não é nossa vocação, pode até ser de alguns, mas são minoria.
Nós queremos nos unir.
Agradecemos ao Sul e Sudeste por seus artistas, músicos, poetas, atletas, empresários que tanto têm feito por nosso país. Agradecemos também ao Norte, Centro Oeste e Noredeste.
Eu convido todos a fazerem o que o Barbosa sugeriu deixemos as almas miúdas falando sozinhas, que suas palavras e textos sejam apagadas pelo vento, vento que soprará alimentando a chama da força da nossa união.
Que numa só voz FALE O BRASIL.
Muita paz.
Thomas.


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Calem a boca, nordestinos !
Por José Barbosa Junior

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!
José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.

TÁ NA HORA DA JANTA

Achei bem interessante o texto do Luiz A. Simas que um amigo enviou.

Há um tempo li um artigo, que infelizmente não lembro o nome do autor, falando sobre um livro de Norbert Elias, “O Processo Civilizador”, onde ele aborda a influência da etiqueta na formação das ideologias e submissão dos indivíduos.
Como fatos tão corriqueiros nos passam depercebidos, sem vermos o que há por trás.
Para ter "etiqueta" é necessário pertencer a um grupo que a tem.
Ou ter "berço" ou conseguir suficiente sucesso (sucesso como definido pelo grupo) para entrar no "Bon chic bon genre".
Uma pessoa que não é deste clube, e chega por cima, como chefe de todos os chefes incomenda dramaticamente.
"...o batuque da senzala que abafa o bafafá da casa grande; é canto de
torcida que invade os nobres balcões dos teatros...”
É demais!
Não é difícl imaginar como se sente uma elite que tão bem manobra talheres e copos, tendo um presidente que carrega caixa de ceveja na cabeça, e quão terrível é ver este presidente governar melhor que os anteriores, nascidos na casa grande, e como se não bastasse fazer mais sucesso de Tókio a Washington (via Londres e Paris, claro) que os ditos outros.
Não há dúvida, Lula mostrou para todos no país: A Senzala e a Taba podem governar sim.
Eles fiquem com seus talheres e copos. Porque a mesa é nossa mesmo!!!!!!!!!!!!!

Vamos ao texto


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TÁ NA HORA DA JANTA

O Brasil compreende e aceita Lula - e dá ao presidente inédita popularidade entre os homens do poder - porque Lula compreendeu e aceitou o Brasil. É simples assim.

Certos segmentos da elite e da grande imprensa, que tentam desqualificar Lula e seu eleitorado, agem como as madames quatrocentonas paulistas que oferecem banquetes para duzentos talheres em suas mansões. Cheias de si, conhecedoras das regras de etiqueta dos grandes ágapes, as madames se horrorizam quando alguém esculhamba o ritual, inverte pratos e facas, altera a ordem dos copos e desarticula as pompas e circunstâncias da festa.

Toda liturgia pressupõe um jogo de poder. A imposição de regras de etiqueta serviu, ao longo da história, para delimitar terrenos, marcar territórios e colocar cada qual em seu devido lugar. Quem não respeita a liturgia, a regra, os chamados bons modos, não merece freqüentar o clube dos bem nascidos e a mesa dos poderosos.

Desta forma o discurso da etiqueta serve, não raro, para segregar, erguer paredões, consolidar posições e inibir mudanças. Assim acontece - e de forma exacerbada - na esfera da política, reino repleto de todos os salamaleques cerimoniais que caracterizam as sociedades hierarquizadas.

O recado da liturgia é claro: os que não conhecem o cerimonial e não sabem se comportar não merecem freqüentar a fidalguia dos salões. Somos, afinal de contas, o país que reproduziu trezentos anos de casa grande e senzala na arquitetura dos apartamentos com dependências de empregadas, os chamados quartinhos de fundos.

O que certa elite não perdoa em Lula é exatamente a dimensão simbólica de sua presidência - aquela que subverte a liturgia e, desta maneira, quebra a lógica de segregação que o exercício do cargo de mando geralmente impõe.

Lula é o batuque da senzala que abafa o bafafá da casa grande; é canto de torcida que invade os nobres balcões dos teatros de ópera; é a empregada doméstica que rasga o uniforme branco - em alvo contraste com o corpo preto - que escancara visualmente sua função de mucama da sinhá. Lula é, enfim, o homem comum que botou a faixa e subiu a rampa - território outrora destinado aos generais com seus galardões e aos bem nascidos príncipes das sociologias.

A imagem mais emblemática desse simbolismo foi a de Lula carregando um isopor cheio de cervejas em um dia de praia. Os jornalões estamparam nas primeiras páginas, com manchetes e charges que travestiam em humor o preconceito e o espanto, a figura do presidente da República agindo como homem comum. Não se espantariam, todavia, se um empregado carregasse a bebida do presidente, feito o negro de ganho que em antanhos carregava os pesos e pertences do senhor.

Os homens miúdos são necessários para preparar o jantar, arrumar talheres, manobrar os carros, limpar os banheiros, tirar a poeira e varrer os cômodos das mansões. Chegam até mesmo a receber algumas gentilezas que mascaram a indiferença cordial dos poderosos. Que os miúdos fiquem longe, porém, do banquete de não sei quantos copos, garfos e facas de prata.

Os doutos poderosos não entendem Lula simplesmente porque nunca carregaram o isopor e ainda se esqueceram, trancafiados em decadentes palacetes, de olhar o céu e constatar que anoiteceu no Brasil (e como está bonita essa noite clara, de lua cheia e gente na rua).

Tá na hora da janta, a fome é muita e a mesa é nossa.



Por Luiz Antônio Simas

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando começa a vida?

Passada a cruzada das eleiçoes me sinto a vontade para discorrer sobre o assunto aborto.
Onde estão o início e o fim da vida?
Quando termina a vida? Até pouco tempo morrer era parar de respirar, muito gente foi enterrada viva por conta deste conceito. Hoje com a quantidade imensa de aparelhos e tecnologia disponíveis pode-se manter um organismos (um ser humano?) vivo quase que indefinidamente.
As autoridades médicas, de um modo geral – não há consenso, consideram que a paralisação total das funções cerebrais caracteriza a morte, este conceito inclusive é utilizado para retirada de órgãos para transplante. Afinal algumas células podem viver horas e até meses, mesmo após a pessoa está enterrada. Um ser humano é apenas um conjunto de células vivas formando um corpo?
Quando começa a vida? Não resta dúvida que um zigoto é vivo, mas é um ser humano? Ou uma possibilidade de ser humano? Uma semente é uma árvore?
Dezenas de abortos espontâneos ocorrem nos primeiro dias de gravidez, a mulher nem chega a saber que ficou grávida. A atividade cerebral, aquela que é utilizada para morte, inicia por volta do 25º ou 30º dia. Se o ser humano termina com a atividade cerebral, ele também começa assim? Da mesma maneira que há discordância para o fim também há para o início.
A verdade é que se não aceitarmos uma definição da ciência só podemos apelar para a fé.
Vamos admitir a hipótese do início do ser humano no momento da concepção.
Sendo assim uma coisa me chamou a atenção: mesmos os radicais contra aborto admitem que o mesmo seja feito em caso de grave (?) defeito congênito, estupro (?), e risco de vida para a mulher (?).
Como é que pode? Onde está autorizado matar um deficiente? Se pode-se matar um feto por que ele será uma pessoa deficiente, pode-se matar após nascer por ser deficiente? Que deficiência justifica matar?
E o quanto o estupro? Por que podemos sacrificar uma vida apenas por ter sido gerada por estupro? O que esta nova vida tem com isto? Como caracterizar o estupro que autoriza matar?
Toda gravidez embute um risco de vida, quem atesta o nível de risco que autoriza matar o feto? O mesmo médico que considera a atividade cerebral como início da vida?
E a inseminação artificial? Para que seja feita, vários óvulos são fecundados, depois os ovos são examinados, alguns descartados (são abortos?), um é introduzido na mulher e outros são congelados e guardados, por que normalmente é necessário implantar outro, ou ser utilizado futuramente se o casal quiser outro filho. Se o casal não quiser mais filhos este ovos ficarão congelados sabe-se lá por quanto tempo.
Um dos argumentos usados é o 6º mandamento “não matarás”, mas lá não há ressalvas, tipo, podes matar nesta ou naquela situação, seja autodefesa, guerra, defesa dos filhos, nada. Ou seja, um soldado que mata na guerra está descumprindo o mandamento, um homem que mate para defender o filho também.
O outro é até meio arrepiante Êxodo 21:22 - Se homens brigarem, e ferirem mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém sem maior dano(ou seja o aborto não é um grande dano?), aquele que feriu será obrigado a indenizar segundo o que lhe exigir o marido da mulher(tem preço?); e pagará como os juízes lhe determinarem
Na verdade a Bíblia é muito escassa neste assunto, o NT nada diz. Tudo por que na ignorância daquela época criança não tinha grande valor, o que dirá feto
Sendo espírita eu sou contra o aborto e acho que deveria ser proibido em qualquer forma, mesmo não concordando que o ser humano começa na concepção, mas existe a possibilidade de um ser humano embutida desde então; mas não tenho certeza se as leis devem traduzir esta minha posição, as leis devem traduzir a posição da sociedade. Para que isto possa ser feito é fundamental uma lei muito clara sobre o assunto. E uma lei clara só pode ser feita baseada em argumentos científicos e técnicos, nunca em dogmas.

domingo, 28 de março de 2010

CELEBRAR O QUE?

Esta semana acompanhamos de perto o julgamento do casal Nardoni.
A conclusão do julgamento foi de culpados e a pena foi dada. Pelo decorrer do processo e de todas as informações colhidas e analisadas não ficou dúvida para a grande maioria das pessoas, da sociedade de fato.
Eu me considero satisfeito com a decisão por que creio ter sido bom para a sociedade.
Agora me pergunto se há motivos para comemorarmos, celebrarmos, ao ponto de queima de fogos.
O que há para ser comemorado em toda esta história? Uma criança foi assassinada, perdeu a vida antes mesmo de tê-la, morreu de uma maneira impensável para qualquer um que não tenha passado por isto: pelas mãos de pessoas em que ela confiava, seu pai; uma mãe perdeu a filha e continua com a dor da perda, podia-se ver em seu rosto, após o julgamento que sua dor ainda estava lá; duas pessoas terão motivos para se consumirem no remorso o resto desta vida além de terem destruído qualquer coisa que possa se encaixar na palavra sonho para eles.
Tudo bem, devemos querer que a justiça seja feita, é a maneira de mantermos a sociedade estabilizada, é fundamental para a nossa sobrevivência.
Mas onde está a felicidade a ser comemorada?
Só há sofrimento em tudo isto, não há nada para "queimar fogos".
A serenidade no rosto da mãe da Isabela não mostrava nemhum traço de celebração. Ela se disse aliviada, mas não feliz, ou alegre pela condenação.
Celebramos alegrias, felicidades.
Celebrar a dor e o sofrimento de outro, quem quer que seja, não é justiça mas vingança.
Perdoar não é "deixar para lá" esquecer que quem cometeu um crime merece punição. Não, quem cometeu um crime deve ser punido. Inventamos o estado exatamente para evitar que cada um saia por aí vingando as ofensas que crê lhe serem devidas.
Perdoar reside principalmente em não celebrar o sofrimento.